Patagonia Run: você na corrida, da neve ao sol, festa brasileira e crioterapia no lago

Como boa prova de montanha, a oitava edição da Patagonia Run teve muitas subidas e, consequentemente, descidas nesse fim de semana, na simpática San Martín de los Andes, na Argentina. Foram picos, cumes, planos, rios e vistas incríveis de uma região quase intocada com o Lago Lácar ao fundo. E neste ano, além do frio e da neblina, a neve também deu o ar da graça. Neve que pintou a paisagem de branco, mas não esfriou os corações dos corredores das distâncias mais longas que por ela passaram. Aliás, foram sete percursos para não deixar nenhum dos cerca de 2 mil atletas de fora: 145km, 125km, 100km, 70km, 42km, 21km e 10km.

Em 2017, a Patagonia Run passou a ser a primeira e única corrida da América do Sul a fazer parte do calendário da Ultra Trail World Tour, circuito mundial de ultramaratonas de montanha que conta com importantes provas como a Ultra Trail Mont Blanc, que atravessa os Alpes de França, Itália e Suíça. Ou seja, os corredores que fizeram as maiores distâncias na Argentina somaram pontos que podem credenciá-los a essas outras provas pelo mundo.

Veja vídeo: http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/videos/v/quilometros-de-esforco-emocao-e-alegria-na-patagonia-run-2017/5793929/

Quilômetros de esforço, emoção e alegria na Patagonia Run 2017
Quilômetros de esforço, emoção e alegria na Patagonia Run 2017

Você na Patagônia

O Eu Atleta participou da prova de 10km – que, na verdade, foram 13km -, a distância mais curta, da Patagônia Run. A largada ocorreu às 11h desse sábado, com temperatura agradável. Mas nos arredores do ponto mais alto da distância, a 970m, já estava bem frio para os padrões brasileiros. Apesar da distância não ser tão longa, o percurso da prova é bem difícil, com muitas subidas e descidas, a todo momento. A sinalização foi excelente, e não havia como ninguém se perder. Passamos por trilhas, pastos com animais, lama deixada pela chuva da madrugada, pedras, um rio com água congelante até os joelhos e, quase no fim, uma vista incrível do Lago Lácar, o último (ou primeiro) da famosa Rota dos Sete Lagos, lindo caminho de 110km que de Villa la Angostura (local do El Origen 2017, lembra?) a San Martín de los Andes. Aqui, a parada para fotos foi inevitável. A aventura termina na cidade e é aqui que a emoção toma conta dos corredores ao se deparar com a torcida. O povo argentino sai as ruas e incentiva de verdade os atletas nos últimos quilômetros de prova. No fim, para coroar todo o esforço, cada um teve seu nome e distância dito em alto e bom som pelo locutor do evento. Emoção do início ao fim, que você pode sentir no vídeo abaixo, que mostra a largada e a chegada na visão do corredor. Confira!

Você na Patagonia Run: a largada e a chegada na visão do corredor
Você na Patagonia Run: a largada e a chegada na visão do corredor

Neve para uns, sol para outros

Para conseguir cumprir os 145km, 125km ou 100km da Patagonia Run, os corredores das maiores distâncias largaram entre 18h e 21h30 de sexta-feira. Portanto, tiveram uma noite inteira de frio e escuridão pelas montanhas de San Marín de los Andes pela frente. E os que chegaram ao topo da montanha, a cerca de 1850m de altitude, tiveram que enfrentar também a neve. Neve que deixou a paisagem branquinha, a temperatura abaixo de 0°C, e atrasou em alguns minutos as largadas dos 42km, 21km e 10km na manhã de sábado. Aliás, o sábado amanheceu com bastante chuva, mas logo o tempo abriu e, curiosamente, os atletas dos 10km, os últimos a largarem, começaram a prova com um lindo sol e temperatura agradável, como dissemos acima.

Chegou a nevar nos pontos mais altos da Patagonia Run durante a madrugada (Foto: Fotos de Aventura)
Chegou a nevar nos pontos mais altos da Patagonia Run durante a madrugada (Foto: Fotos de Aventura)

Não deu…

E a neve da madrugada pegou alguns corredores de surpresa. Mesmo largando à noite e sabendo que enfrentariam a noite nas montanhas, muitos corredores não estavam preparados para o frio que os esperava lá em cima. Com temperatura abaixo de 0°C, 114 dos 1900 que largaram desistiram e abandonaram a prova, pedindo ajuda à organização – que contava com 400 pessoas no staff – para descer a montanha e encerrar, assim, sua participação.

Largada das distâncias maiores ocorreu à noite, e muita gente não estava preparada para o frio (Foto: Fotos de Aventura)
Largada das distâncias maiores ocorreu à noite, e muita gente não estava preparada para o frio (Foto: Fotos de Aventura)

E teve gente que nem chegou à Patagônia

Apesar de marcada com certa antecedência (para os padrões brasileiros), a paralisação dos meios de transportes na Argentina afetou, claro, o setor aéreo, e atrapalhou a Patagonia Run. Como essa é uma prova que se planeja com tempo, muitas passagens haviam sido compradas há meses e tiveram que ser trocadas às pressas por conta da paralisação da última quinta-feira, véspera das largadas das maiores distâncias. Muita gente não conseguiu voo e acabou ficando fora da prova. Quase 50 pessoas deixaram de ir à Patagônia por conta do problema! Pena. Mas 2018 está logo ali!

Dos 2200 corredores que disputaram a oitava edição da Patagonia Run, nesse fim de semana, em San Martín de los Andes, cerca de 30%, ou 660 deles, eram brasileiros. Por onde se andava nas ruas da charmosa cidadezinha, se ouvia alguém falando português. Em grupos, ou por conta própria, “los brasileños” fizeram muita festa na linha de chegada sempre que “um de nós” chegava. No pódio, o Brasil também fez bonito e foi muito bem representado em todas as distâncias. O melhor brasileiro foi o paulista Carlos Henrique Botelho, o Carlinhos, que venceu os 125km mais de duas horas à frente do compatriota Diego Panazzolo, de Bento Gonçalves, e você conhece a história. Nos 100km, Carlos Rubi, de Amparo, ficou com a terceira colocação geral. Nos 21km, Cyntia Terra, de Campinas, também subiu ao pódio na terceira colocação geral feminina. Isso sem contar as categorias por faixa etária dentro de cada distância. A bandeira verde e amarela foi tremulada muitas vezes na Patagônia Argentina.

Brasileiros subiram ao pódio diversas vezes na Patagonia Run (Foto: Renata Domingues)
Brasileiros subiram ao pódio diversas vezes na Patagonia Run (Foto: Renata Domingues)

Crioterapia natural

Com o objetivo de promover vasoconstrição e vasodilatação, fazendo irrigação sanguínea, a crioterapia é muita utilizada em diversos esportes para recuperação muscular. Mas quem precisa da banheira de gelo utilizada por jogadores de futebol, por exemplo, quando se tem o Lago Lácar à disposição? No domingo, dia seguinte à Patagonia Run, o que mais se via no belo lago na cidade de San Martín de los Andes eram atletas enfrentando a água congelante em busca de conforto para as dores musculares deixadas pelo esforço na corrida. Corajosos!

Contra as dores, vale até enfrentar as águas geladas do belo Lago Lácar (Foto: Renata Domingues)
Contra as dores, vale até enfrentar as águas geladas do belo Lago Lácar (Foto: Renata Domingues)

Por: Renata Domingues

Fonte: https://globoesporte.globo.com/eu-atleta/corridas-e-eventos/noticia/patagonia-run-voce-na-corrida-da-neve-ao-sol-festa-brasileira-e-crioterapia-no-lago.ghtml


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